Os mísseis balísticos iranianos Sejjil e Shahab-3 e os israelitas Jericho-2 e Jericho-3 são peças-chave nas respetivas doutrinas de dissuasão e projecção de poder a longo alcance.
Ficam aqui apresentados.
O Shahab-3, desenvolvido a partir da tecnologia norte-coreana do Nodong-1, é um míssil balístico de médio alcance (MRBM) com um alcance estimado de até 2.000 km, permitindo ao Irão atingir alvos em Israel, Turquia e Arábia Saudita e partes do sul da Europa. Embora a precisão tenha sido tradicionalmente limitada, melhorias recentes apontam para maior eficácia com possíveis sistemas de orientação mais avançados.
Já o Sejjil representa um salto qualitativo. Trata-se de um míssil de combustível sólido, mais moderno e com maior mobilidade tática, dispensando a necessidade de longos preparativos antes do lançamento. Com um alcance similar ao Shahab-3, entre 2.000 a 2.500 km, o Sejjil oferece vantagens significativas em tempo de resposta e capacidade de sobrevivência face a ataques preventivos. O seu desenvolvimento demonstra um esforço claro do Irão para modernizar e diversificar o seu arsenal estratégico.
Do lado israelita, o programa Jericho permanece envolto em sigilo, mas analistas militares apontam para capacidades sofisticadas e possivelmente nucleares.
O Jericho-2, operacional desde os anos 90, é também um míssil de médio alcance, com alcance estimado entre 1.500 e 3.500 km, consoante a carga útil. É lançado a partir de plataformas móveis e serve como elemento central da tríade dissuasora de Israel, a par da sua aviação e submarinos com mísseis de cruzeiro.
Mais recente e significativamente mais poderoso, o Jericho-3 é considerado um míssil balístico intercontinental (ICBM), com alcance superior a 4.800 km, podendo chegar aos 7.000 km segundo algumas estimativas. Esta capacidade permite a Israel atingir alvos muito para além da região, incluindo partes da Europa, Ásia e até mesmo África Austral. Acredita-se que possa transportar ogivas nucleares múltiplas (MIRVs), aumentando o seu poder dissuasor.
Enquanto o Irão insiste no carácter defensivo e convencional dos seus programas, Israel mantém uma política de ambiguidade quanto ao seu arsenal nuclear, os mísseis Shahab, Sejjil e Jericho representam, na prática, vetores estratégicos que moldam o equilíbrio militar regional mas são capazes de ir muito mais além.